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Publicado em 26/03/2019

Em Guarapiranga, movimento de moradia promove ações de preservação da Mata Atlântica

Oficina desenvolve viveiro urbano para cultivar espécies nativas e dá exemplo ao mercado imobiliário: é possível realizar empreendimentos habitacionais com consciência ambiental e ainda estimular economia criativa da região

O Movimento Pelo Direito à Moradia (MDM), em parceria de fomento com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), realizou nesse sábado (dia 23) uma oficina gratuita que ensinou técnicas para a implantação de viveiros urbanos, com foco em projetos de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS), para arquitetos e integrantes de movimentos sociais.

A oficina, conduzida pelo engenheiro agrônomo Gilmar Tadeu Ribeiro Alves, foi realizada na sede do MDM, em Guarapiranga, São Paulo, em um terreno conquistado pela entidade para a construção de moradias sociais que atenderão cerca de 500 famílias.

Durante toda a manhã, o engenheiro apresentou técnicas que foram desde a preparação do canteiro até a instalação do viveiro e plantio das mudas. De enxada e facões na mão, os participantes limparam o terreno, preparam o solo e construíram a estrutura de madeira, alambrado e tela sombrite que abrigará cerca de 100 mudas de plantas nativas da Mata Atlântica.

“O contato com a natureza é importantíssimo para essas famílias, assim como conhecer a sensibilidade do desenvolvimento da vegetação e das árvores que serão replantadas como compensação para construir as habitações nesse terreno”, analisou o engenheiro. “Isso faz com que a comunidade já tome conta do local, sentindo-se parte daqui e cuide, com muito carinho, do meio ambiente. E todos estavam animados com a implantação do viveiro, trabalhando em conjunto para materializar essa ideia”.

O empreendimento habitacional – em aprovação na Prefeitura – está localizado em área de preservação ambiental de Mata Atlântica (a cerca de 100 metros da represa Guarapiranga) e, por isso, para construírem as casas, a legislação exige uma compensação ambiental pelas prováveis retiradas de árvores. A oficina de implantação surge, portanto, como uma forma de estimular a preservação ambiental em Guarapiranga com a participação ativa dos futuros moradores, economizar recursos que seriam destinados a compra de mudas em outros viveiros da cidade e criar uma fonte de renda para essas famílias de baixa renda.

Uma ação que já começa a despertar a consciência ambiental em muitas pessoas. Enquanto descansava, após ajudar a capinar o terreno onde foi implantado o viveiro, a aposentada Luísa Mendes Silva contou que aprecia atividades como essas desenvolvidas na oficina e “mexer com terra”. “Nasci em São João Evangelista, em Minas Gerais, e desde menina sempre gostei de plantar, colher e capinar – isso que fizemos hoje é a minha cara! Sempre quisemos plantar aqui no terreno e estou vendo as pessoas muito felizes de, finalmente, podermos fazer isso – e, talvez, ainda ganhar uma fonte extra de renda”.

A doméstica Helena Maria da Costa, que também participou da oficina, destacou que um viveiro em Guarapiranga pode auxiliar as pessoas a tratarem “com mais respeito o meio ambiente”.

“Esse trabalho é muito valioso – e tão bonito! Nos faz dar valor a essa região linda, cheia de matas e árvores, um riacho, que um dia estará nossas casas”, disse ela, animada depois de uma manhã intensa de trabalho.

A oficina foi a atividade que encerrou o projeto “Viveiros urbanos – Formação em ATHIS com autogestão e sistemas de proteção ambiental”, que já realizou uma formação teórica e visitas técnicas à viveiros na cidade de São Paulo. Segundo Nilda Neves, coordenadora do MDM, a implantação do viveiro é apenas o começo – não só porque demandará cuidado permanente, mas também porque instigou a população que se beneficiará do empreendimento a desenvolver outros trabalhos de preservação ambiental na região, algo que o mercado imobiliário tem muito a aprender.

“Não queremos só moradia”, disse ela. “Queremos também qualidade de vida!”.

Veja abaixo mais fotos da atividade:

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